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terça-feira, 14 de maio de 2013

ONDE MORA O DESEJO

ONDE MORA O DESEJO
Por Nicéas Romeo Zanchett

              Reconhecer onde mora o desejo é uma das portas para o pleno prazer, mas a maioria das mulheres ainda tem muita dificuldade. O mundo já se encarrega de colocar a mulher para baixo; se ela própria não se amar tudo fica mais difícil. O homem desde menino é estimulado a se tocar, a mulher não.
              Conhecer o próprio corpo e localizar onde está o prazer tem sido alguns dos temas mais estimulantes para as mulheres. Desde os anos 60 a mulher busca viver sua sexualidade de forma mais plena, mas não tem tido a chanse que merece porque a cultura a rotula como imitadora de mulheres liberais e até como prostituta.
                    A consciência do próprio corpo e do prazer que ele pode dar passa pelo autoconhecimento. Reserve um tempo só para você.  Comece conhecendo seu corpo em todos os detalhes. Olhe para o espelho e toque-se sem pudor; sinta-se bela, sensual e irresistível; descubra as sensações que cada toque proporciona.

Mesmo que seu objetivo seja o orgasmo, procure não pensar nele. Se você só pensar no gozo que terá, talvez nem o consiga. Se conseguir não será tão prazeroso, pois você não estará totalmente preparada. O prazer vai aumentar gradativamente e o orgasmo acontecerá quando você estiver bem excitada.

             Sinta-se através de suas roupas e toque seu corpo com texturas diversas - plumas, pele, couro, ceda - apalpando regiões diferentes e variando as posições.
             Para muitas mulheres com parceiro fixo, a auto-satisfação dá muito mais prazer do que as relações com o companheiro. Isto é muito comum nos dias de hoje porque os maridos vivem numa corrida contra o relógio e não dispensam atenções suficientes para as esposas.
                  Na frente do espelho observe-se enquanto se excita. Examine cada detalhe do seu sexo; os lábios externos são as dobras da vagina que tem pelos; os lábios internos são as dobras sem pelos e eles se encontram na parte de cima formando uma capa que cobre as glândulas clitorianas.
                  Muitas mulheres gostam de se masturbar, mas ainda são vítimas do sentimento de culpa. Um sentimento que vem depois da prática do sexo solitário; é um mal que atinge até as mulheres que se consideram livres e emancipadas, mas deve ser superado. Lembre-se que ao se dar prazer você não está traindo e nem prejudicando ninguém.
               A maioria das mulheres atinge o orgasmo estimulando o clitóris. Use uma das mãos para abrir seu genital e a outra para estimular o clitóris; coloque um ou mais dedos dentro de si mesma e sinta como é este prazer. Friccione seu clitóris tocando nos pequenos lábios ou puxe-os e friccione diretamente o clitóris; faça movimentos sobre todo o seu aparelho sexual com uma das mãos. Muitas mulheres gostam de se masturbar massageando o clitóris, mas sentem muito mais prazer quando põe a mão sobre a vagina  e ficam brincando com ela até atingir o gozo. Outras gostam de utilizar alguma coisa como um pênis artificial (desses encontrados em sex shop). É muito importante que cada uma descubra o que mais lhe dá prazer.

Pintura de Romeo Zanchett

                Se antigamente a mulher não podia demonstrar que sentia prazer, agora tornou-se quase obrigatório ter orgasmo. Para isso é muito importante se auto-conhecer e a masturbação é o modo mais prático, seguro e inofensivo. A mulher que usa "brinquedinhos" tem mais facilidade para se auto-conhecer e aprenderá não se preocupar tanto com a performance na hora do sexo com o parceiro. A falta de desejo é um dos problemas das mulheres, mas o principal é que elas se sentem cobradas a dar e "sentir" prazer. Para muitos parceiros ter orgasmo vaginal com seu pênis é fundamental. Ficam patrulhando se a mulher gozou ou não. Para eles é uma forma de auto-afirmação de sua virilidade. Algumas mulheres sabem fingir muito bem, mas outras ficam angustiadas e é exatamente isso que as impede de ter qualquer prazer. Se auto-conhecer é o melhor caminho.
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 Nicéas Romeo Zanchett
   " A emancipação completa da mulher terá que por fim à ideia de que ser amada, apaixonada, mãe, é sinônimo de ser subordinada". 
Palavras de Emma Goldman

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